Colóquios com Pietro Ubaldi
in (Revista Terceiro Milênio. n.3)
Medeiros Corrêa Júnior
Nessas conversas íntimas e singelas, antes de seu contato mais amplo com o público de Campos, o professor Pietro Ubaldi, em resposta a uma ou outra pergunta que lhe foi feita, nos revelou certos aspectos ignorados de sua vida e de sua obra. O tom familiar desses colóquios não impediu, entretanto, que ele por vezes ventilasse questões transcendentes de ciência, religião ou filosofia, sem emprestar nenhum caráter de dogmatismo à sua exposição natural e simples. Responsável, em nossos dias, pelo maior trabalho doutrinário de ressureição espiritual do homem, não se encontra em Pietro Ubaldi nenhum traço acadêmico, nenhum ar de pessoa importante, mas um profundo sentimento de amor a Deus e aos homens. Talvez nenhum homem no mundo de hoje seja uma encarnação tão viva do Evangelho como ele. Todos os que se aproximam de Pietro Ubaldi reconhecem sua sedução pessoal, reflexo de uma vida interior intensa, alimentada pela comunhão permanente com Deus, com Cristo, que ele pode contemplar nas suas esplêndidas visões de místico.
Ao leitor menos avisado, que ainda não entrou em contato com a obra de Pietro Ubaldi, parecerá absurdo que ele disponha de tanta capacidade para enfrentar e resolver os problemas do Universo e do homem, muitos dos quais nem ainda equacionados pela ciência oficial. Entendamos, porém, o que significa capacidade, no caso de Ubaldi. Não se trata de capacidade cultural, mas de capacidade espiritual. Nenhum homem poderia ter escrito A Grande Síntese, usando embora o mais extenso patrimônio intelectual, porque a densidade científica da gigantesca obra ultrapassa, em todos os sentidos, toda a cultura terrestre.
Aqui não se fala com exaltação gratuita ou sectária, porque um exame atento e sereno do grandioso livro recebido por Pietro Ubaldi levará o leitor a uma conclusão favorável. Mas que se deve entender ir capacidade espiritual ? A resposta pode ser dada, resumidamente, numa palavra: evolução.
O fenômeno, aliás, não é novo, e podemos vê-lo repetido nos gênios, nessas poderosas organizações espirituais, que tanto enriquecem os valores da vida, nas artes como nas letras, na ciência como na filosofia. Pietro Ubaldi atingiu, assim, por evolução, um elevadíssimo estado de espírito, que o tornou capaz de conhecer, de saber, independentemente da cultura acadêmica e sem os métodos comuns da investigação científica.
Agora se impõe uma pergunta. Qual é o método usado por Pietro Ubaldi, que lhe garante tanta segurança na investigação da verdade? É o método da intuição, a que ele dedicou um estudo especial. Essa é uma técnica inteiramente nova de pesquisa, antecipada em Ubaldi, mas que será mais tarde um método normal de estudo das leis que regem a vida universal. O super-homem do terceiro milênio, tipo biológico muito sensibilizado por evolução, adquirirá essa capacidade espiritual, que com tanta força moral e beleza evangélica explode em Pietro Ubaldi em amor, em humildade, em inteligência, em paixão pelo bem dos homens. Sem dúvida que tudo isso é surpreendente, e mesmo para mim, que me encontro na intimidade do assunto, Pietro Ubaldi é um fenômeno belo e assombroso.
Vejamos, porém, o Professor Pietro Ubaldi, rodeado por tantos rostos amigos, no ambiente afetuoso do salão da escola Jesus Cristo. Ele nos fala de intensa emoção que o dominou enquanto recebia as belíssimas 'Mensagens Espirituais', em que Sua Voz primeiramente se dirigiu aos homens. Depois veio com A Grande Síntese, descrevendo Ubaldi, com gestos, o que se passou com ele durante a recepção da magnífica sinfonia de Cristo: sentiu na cabeça um grande peso, naturalmente pelo imenso volume conceptual dessa obra. A essa altura alguém cuidou que devia elogiá-lo pelo seu labor de missionário. A resposta de Pietro Ubaldi, acompanhada de um sorriso compreensivo, não se fez esperar:
- Fui apenas uma caneta.
Para quem sabe que Pietro Ubaldi está na vanguarda de um espiritualismo científico, não causa estranheza ouvir dele frases como esta:
- Deus não é apenas bondade, é também inteligência.
O Universo é uma obra de sabedoria, Leis perfeitas presidem a todos os fenômenos. Há necessidade de que cada um venha a conhecer o mecanismo da vida, a complexidade do destino, avizinhando-se cada vez mais do grande mistério - Deus. Com muita naturalidade, Pietro Ubaldi se refere à facilidade, graças ao seu método de intuição, com que ele penetra na essência das cousas:
- A natureza é para mim um livro aberto.
A oração, necessariamente, tinha de ocupar uma posição fundamental na vida de Ubaldi. E de fato assim é. A novidade, porém, é que a oração feita por ele toma características novas. Pietro Ubaldi afirmou que não ora com palavras. Vivendo permanentemente em comunhão com Cristo, adiantou ele que a sua oração dura vinte e quatro horas diárias. É uma ação constante no bem.
A conversa acaba sempre por voltar às questões científicas. Um dos presentes se admira de que Ubaldi possa, com tamanha acuidade, investir o desconhecido e revelar a existência de tantos fatos inéditos ainda muito longínquos do entendimento humano, assim como o mecanismo das leis divinas a operar no campo infinito da vida. Pietro Ubaldi responde naturalmente:
- Eu vejo a Lei de Deus.
Aqui está a chave de sua sabedoria. Até onde o leitor aceitará estas afirmações de Pietro Ubaldi? Somente um contato íntimo com seus livros poderá convencer o ceticismo de que um trabalho sobre-humano está sendo realizado no mundo, através do professor Pietro Ubaldi, e em benefício de toda a humanidade. O que ele vê, nas suas incompreensíveis asceses, é precisamente a trajetória da Lei de Deus, governando, fecundando e dirigindo mundos e seres, numa ascensão contínua para a espiritualidade.
Conta-se que Dante, severo e melancólico, quando passava pelas ruas de Ravenna, provocava dos transeuntes esta observação: 'Eis o homem que esteve no inferno!'
Vendo Pietro Ubaldi, irradiando bondade e simpatia, acolhendo com afeto a todos os que o procuram para um aperto de mão, eu me lembrei de que se pode dizer do grande missionário de Cristo para o nosso tempo: 'Eis o homem que viu o Absoluto!'



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